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Jean Johansen – NASA (CsF – Programa Ciência sem Fronteiras)

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Meu nome é Jean Johansen, 23 anos, e sou estudante de Engenharia Elétrica na FESP. No início do segundo semestre de 2015, no meio do meu último ano do curso, eu conquistei a oportunidade de realizar um intercâmbio nos Estados Unidos através do programa  Ciência  sem  Fronteiras  (CsF),  do Governo Federal. O programa oferece bolsas integrais em faculdades do exterior para estudantes brasileiros que obtêm nota acima da média no ENEM, desempenho acadêmico de excelência e possuem proficiência em língua estrangeira.

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Eu sempre tive o sonho de viajar e morar no exterior, e foi com muita felicidade que recebi a notícia de ser aprovado no programa. Eu havia aplicado para a modalidade graduação-sanduíche, onde o aluno de graduação em diversas áreas de tecnologia fica um ano letivo no exterior, estudando em uma faculdade o mesmo curso que faz no Brasil – e ao final do período de estudo ainda pode procurar por um estágio durante os meses finais do programa. Eu já estudava inglês desde os 6 anos, e boa parte desse estudo desenvolvi por conta própria. Estava, portanto, muito ansioso para pôr à prova o idioma que havia estudado por anos (e naturalmente, aperfeiçoá-lo) e ainda por cima estudar em instituições de ensino universitárias de um país famoso por sua excelência em educação e na pesquisa e desenvolvimento de tecnologias.

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Após um longo processo, com diversas aplicações e redações escritas, eu fui aceito para estudar na Loyola Marymount University, em Los Angeles, Califórnia. Fiquei muito empolgado com a possibilidade oferecida pelas faculdades   estadunidenses   de   se   poder   estudar   uma diversidade de cursos, mesmo que alguns não fizessem parte de minha grade no Brasil. Assim, foquei meus estudos em disciplinas de Programação de Computadores. Me inscrevi ainda em aulas de Francês, cursos de Matemática e, no campo de Engenharia Elétrica, fiz aulas de Eletrônica.

Academicamente fiquei bastante satisfeito com meus resultados, principalmente nas aulas de Programação. A faculdade nos Estados Unidos é muito mais “puxada” e exigente do que no Brasil, e o CsF exige que os estudantes mantenham uma certa média acadêmica enquanto estão no programa. Minhas notas foram muito satisfatórias e – mais que isso – os conhecimentos que obtive. Desenvolvi muitos projetos desafiadores e com muita alegria senti minha evolução sobre os conteúdos abordados.

Academicamente fiquei bastante satisfeito com meus resultados, principalmente nas aulas de Programação. A faculdade nos Estados Unidos é muito mais “puxada” e exigente do que no Brasil, e o CsF exige que os estudantes mantenham uma certa média acadêmica enquanto estão no programa. Minhas notas foram muito satisfatórias e – mais que isso – os conhecimentos que obtive. Desenvolvi muitos projetos desafiadores e com muita alegria senti minha evolução sobre os conteúdos abordados.

Ao final dos dois semestres letivos eu consegui um estágio na própria faculdade para trabalhar com uma pesquisa no Departamento de Engenharia Elétrica. Era a primeira vez que eu iria trabalhar com pesquisas e estava bastante entusiasmado. Tratava-se de uma pesquisa com sensores EMG para atividade muscular, e o objetivo era identificar, se houvessem, certos padrões nos sinais elétricos dos músculos de forma a detectar transtornos ortopédicos. O que mais me agradou na pesquisa foi a possibilidade de pôr em prática os conhecimentos de Programação que eu havia obtido no ano anterior – para análise dos dados coletados era utilizado o software Matlab, e eu tive que escrever e aperfeiçoar diversos códigos para programas que permitissem um melhor estudo dos dados.

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Mas os conhecimentos e experiências proporcionados pelo programa foram muito além do âmbito meramente acadêmico. Estudar e morar no exterior, particularmente nos EUA, ampliou completamente minhas perspectivas e compreensões culturais. Os primeiros cerca de três meses foram muito difíceis e um tanto deprimentes: eu estava imerso em uma cultura totalmente diferente da em que fora criado, onde as relações com trabalho e estudo eram muito mais intensas, uma exigência constante por produtividade, atividades de lazer e diversões diferentes das que eu estava acostumado e a constatação de que a vida nos Estados Unidos não é igual muitos filmes e programas de TV me haviam feito crer. Porém, após esse período, fiquei mais acostumado e adaptado à cultura estadunidense: vi que o país era muito grande e diverso, oferecendo uma gama de entretenimentos que eu não costumava ter no Brasil, além da constatação de efeitos benéficos da constante cobrança por excelência que o país fazia. Eu mesmo me surpreendi com a quantidade de coisas que fiz e que achei que não seria capaz de fazer – arrisco dizer que a principal lição que aprendi nos Estados Unidos foi acreditar no meu próprio potencial, na minha capacidade de aprender, agir e me adaptar.

Após uma experiência como essas eu percebi muitas coisas em que o Brasil é falho, mas mais do que isso, eu percebi muitas coisas em que o Brasil é um país excelente. Eu adquiri parâmetros, e hoje sei que nenhum lugar é completamente melhor ou pior que outro: tudo se trata de um balanço entre certas virtudes e defeitos, um trade-off. Eu valorizo agora muito mais certas coisas do meu país, que antes achava levianas.

O intercâmbio foi uma experiência fantástica. Eu aprendi muitas coisas (acadêmica e não-academicamente), conheci pessoas do mundo inteiro, viajei por lugares diversos e obtive novas perspectivas que acredito que fizeram de mim uma pessoa melhor. Sou muito grato por essa oportunidade, e da mesma forma como eu realizei um sonho que há muito almejava, gostaria de recomendar ao leitor: acredite em seu potencial e trabalhe para algum resultado que deseja – grandes são as chances de você conseguir alcançá-lo! O mundo é grande demais para ficar em um lugar só: e conhecer culturas, gastronomias, lugares e ampliar os conhecimentos são das coisas mais valorosas da vida.

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